A ginecomastia é caracterizada pelo aumento do tecido glandular mamário no homem e pode ocorrer em uma ou nas duas mamas. É uma condição relativamente frequente e pode surgir em diferentes fases da vida, especialmente durante a puberdade e com o envelhecimento.
Em muitos casos, não é possível identificar uma causa específica. Entretanto, a ginecomastia também pode estar relacionada a alterações hormonais, uso de determinados medicamentos ou substâncias, doenças sistêmicas e outras condições clínicas. Por esse motivo, a avaliação adequada de sua possível causa é uma etapa importante antes da indicação do tratamento cirúrgico.
Para quem a cirurgia de ginecomastia é indicada?
A cirurgia pode ser indicada quando o aumento das mamas persiste, provoca desconforto, dor ou sensibilidade, ou quando causa incômodo com o contorno do tórax.
Durante a adolescência, a ginecomastia é frequente e pode regredir espontaneamente. Por esse motivo, na ausência de situações que exijam investigação ou tratamento específicos, costuma-se acompanhar sua evolução antes de considerar uma intervenção cirúrgica.
Nos casos persistentes, especialmente quando o tecido glandular se torna mais fibroso, a regressão espontânea é menos provável e o tratamento cirúrgico pode ser considerado.
A presença de aumento unilateral, nódulo endurecido ou outras alterações atípicas deve ser adequadamente investigada antes de qualquer tratamento estético.
Recomenda-se que o paciente esteja com o peso próximo da faixa considerada adequada, segundo o Índice de Massa Corporal (IMC).
Qual a diferença entre ginecomastia e pseudoginecomastia?
Na ginecomastia verdadeira existe aumento do tecido glandular mamário.
Na pseudoginecomastia, o aumento do volume das mamas ocorre predominantemente pelo acúmulo de gordura, sem aumento significativo do componente glandular. Essa condição é mais frequente em pacientes com sobrepeso ou obesidade.
Também é possível que um mesmo paciente apresente simultaneamente aumento do tecido glandular e acúmulo de gordura.
Essa diferenciação é importante porque influencia diretamente a escolha do tratamento.
É necessário investigar a causa da ginecomastia?
Sim. Antes da indicação cirúrgica, é importante avaliar se existe alguma condição responsável pelo desenvolvimento ou manutenção da ginecomastia.
Durante a consulta são investigados o tempo de evolução, presença de dor ou sensibilidade, uso de medicamentos, hormônios ou outras substâncias, doenças preexistentes e histórico familiar de doenças das mamas.
Dependendo da idade, do histórico e dos achados do exame físico, podem ser necessários exames laboratoriais ou de imagem e, em situações específicas, avaliação por outras especialidades médicas.
Quando uma causa é identificada, seu tratamento deve ser considerado antes ou em conjunto com a indicação da cirurgia.
Como é o planejamento da cirurgia?
Durante o exame físico são avaliados o volume das mamas, a proporção entre tecido glandular e gordura, a qualidade e elasticidade da pele, a posição das aréolas, a presença de assimetrias e o grau de excesso cutâneo.
Exames de imagem, como a ultrassonografia das mamas, podem ser solicitados de acordo com o histórico e os achados do exame físico. Exames laboratoriais específicos também podem ser necessários quando houver suspeita de alterações hormonais, metabólicas ou sistêmicas.
O tabagismo aumenta o risco de complicações relacionadas à cicatrização e deve ser interrompido pelo período orientado pelo cirurgião. Medicamentos e outras substâncias utilizadas habitualmente devem ser informados durante a avaliação.
Como é realizada a cirurgia?
A técnica cirúrgica depende principalmente da quantidade de tecido glandular, do acúmulo de gordura e da presença de excesso de pele.
Quando existe predomínio de gordura, a lipoaspiração pode ser utilizada para reduzir o volume e melhorar o contorno do tórax.
Quando existe tecido glandular significativo, pode ser necessária sua retirada por meio de uma incisão geralmente posicionada junto à aréola. Em muitos pacientes, a ressecção da glândula é associada à lipoaspiração para proporcionar uma transição mais adequada entre a região tratada e o restante do tórax.
Nos casos de maior volume e flacidez, pode ser necessária também a retirada de excesso de pele e o reposicionamento das aréolas.
A cirurgia pode ser realizada sob anestesia local associada à sedação ou sob anestesia geral, dependendo da extensão do procedimento e das características de cada paciente.
Como ficam as cicatrizes?
As cicatrizes dependem da técnica necessária para cada caso.
Quando o tratamento é realizado apenas por lipoaspiração, são utilizadas pequenas incisões para a introdução das cânulas.
Quando é necessária a retirada do tecido glandular, a cicatriz pode ser posicionada junto à borda da aréola, tornando a transição entre a pele e a aréola uma região favorável para seu posicionamento.
Nos casos em que existe excesso significativo de pele, cicatrizes adicionais podem ser necessárias para permitir sua retirada e o reposicionamento da aréola.
A extensão das cicatrizes, portanto, está diretamente relacionada às características anatômicas e à quantidade de tecido que precisa ser tratada.
É possível corrigir diferenças entre os dois lados?
Algum grau de assimetria entre os lados do tórax é natural.
Na ginecomastia, essa diferença pode ser mais evidente devido à presença de quantidades distintas de glândula e gordura em cada lado. A cirurgia permite tratar cada mama de acordo com suas características, buscando melhorar a simetria e o contorno do tórax.
Entretanto, diferenças relacionadas à própria anatomia do tórax, músculos, costelas e posição das aréolas podem permanecer após o procedimento.
Como é a recuperação?
Nos primeiros dias é esperado algum grau de inchaço, equimoses, sensibilidade e desconforto na região operada. Essas alterações tendem a diminuir progressivamente durante a recuperação.
Pode ser recomendado o uso de uma malha compressiva para auxiliar no controle do edema e na acomodação dos tecidos. Em alguns casos, também pode ser necessário o uso temporário de drenos.
Durante o período inicial, movimentos amplos dos braços, levantamento de peso e esforços físicos devem ser limitados. A retomada da direção e das atividades físicas ocorre progressivamente, de acordo com a evolução e a orientação médica.
As cicatrizes devem ser protegidas da exposição solar e podem necessitar de cuidados específicos durante seu processo de maturação.
Consultas pós-operatórias regulares são importantes para acompanhar a cicatrização e orientar o retorno gradual às atividades habituais.
O resultado é definitivo?
O tecido glandular e a gordura retirados durante a cirurgia não são simplesmente repostos pelo organismo. Entretanto, alterações importantes de peso, uso de determinados medicamentos, hormônios ou substâncias e algumas condições clínicas podem provocar novas alterações no volume das mamas.
O inchaço também pode persistir por algum tempo após a cirurgia, de modo que o contorno definitivo do tórax é observado progressivamente ao longo dos meses.
A manutenção de um peso estável e o controle de eventuais fatores relacionados ao desenvolvimento da ginecomastia contribuem para a preservação do resultado.
A escolha da técnica é individualizada
A correção da ginecomastia pode envolver lipoaspiração, retirada do tecido glandular, retirada de excesso de pele ou uma combinação dessas técnicas.
A escolha depende da proporção entre glândula e gordura, da qualidade da pele, do volume das mamas, da posição das aréolas e das características individuais de cada paciente. O planejamento permite definir a técnica e a extensão das cicatrizes mais adequadas para cada caso.