Melanoma

Tratamento cirúrgico do melanoma com planejamento baseado nas características do tumor, nas margens necessárias e, quando indicado, na reconstrução da região acometida.

Melanoma

O melanoma é um tumor maligno que se origina dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, pigmento que contribui para a coloração da pele. Embora seja menos frequente que os carcinomas basocelular e espinocelular, apresenta maior potencial de disseminação para outras regiões do organismo, tornando particularmente importantes o diagnóstico e o tratamento precoces.

O melanoma pode surgir em diferentes regiões do corpo, tanto na pele quanto, mais raramente, em mucosas. Pode aparecer como uma nova lesão ou desenvolver-se a partir de uma lesão pigmentada previamente existente.

Quando diagnosticado em fases iniciais, apresenta melhores possibilidades de tratamento e prognóstico.

Quais são os principais fatores de risco?

A exposição à radiação ultravioleta (UV) está relacionada ao desenvolvimento do melanoma. Pessoas de pele clara, com histórico de queimaduras solares, presença de múltiplos nevos (“pintas”) ou nevos com características atípicas podem apresentar maior risco.

A história pessoal de melanoma e a presença de casos da doença na família também são informações importantes durante a avaliação.

Quando uma pinta deve ser investigada?

O melanoma pode se apresentar como uma nova lesão pigmentada ou por meio de modificações em uma pinta previamente existente.

Uma maneira simples de reconhecer algumas características que merecem avaliação é a regra do ABCDE:

  • A – Assimetria: uma metade da lesão apresenta características diferentes da outra.
  • B – Bordas: contornos irregulares ou mal definidos.
  • C – Cor: presença de diferentes tonalidades em uma mesma lesão.
  • D – Diâmetro: lesões com diâmetro maior que 6 mm merecem atenção, embora melanomas também possam apresentar dimensões menores.
  • E – Evolução: mudanças no tamanho, formato, coloração ou outras características da lesão ao longo do tempo.

O critério de evolução é particularmente importante. O aparecimento de uma nova lesão ou uma pinta que esteja se modificando deve ser avaliado, especialmente quando apresenta características diferentes das demais lesões da pele.

Esses sinais não significam necessariamente a presença de melanoma. Entretanto, quando identificados, justificam avaliação médica.

Como é feito o diagnóstico?

A suspeita de melanoma é estabelecida a partir da história clínica e do exame da lesão. Quando existem características suspeitas, é realizada uma biópsia, e o diagnóstico definitivo é estabelecido pelo exame anatomopatológico.

Além de confirmar o diagnóstico, o exame fornece informações fundamentais sobre as características do melanoma. Entre elas, a espessura do tumor apresenta particular importância, pois contribui para determinar a extensão do tratamento cirúrgico e a necessidade de investigação complementar.

Como é realizado o tratamento?

A cirurgia é o principal tratamento do melanoma localizado.

Após a confirmação do diagnóstico, é realizada a retirada da região onde se encontrava o melanoma, incluindo uma margem de segurança de pele aparentemente normal ao redor. A extensão dessa margem é determinada de acordo com as características do tumor identificadas no exame anatomopatológico.

Em determinadas situações, também pode ser indicada a avaliação dos linfonodos próximos à região do melanoma para complementar o estadiamento da doença e auxiliar na definição do tratamento.

Nos casos em que existe comprometimento dos linfonodos, doença mais avançada ou outras características de maior risco, podem ser necessários tratamentos complementares e acompanhamento conjunto com outras especialidades. Dependendo do estágio e das características da doença, existem diferentes modalidades de tratamento sistêmico e, em situações selecionadas, a radioterapia também pode ser utilizada.

Como é realizada a reconstrução após a retirada do melanoma?

A retirada das margens necessárias para o tratamento pode resultar em defeitos de diferentes tamanhos e profundidades.

Em algumas situações, é possível realizar o fechamento direto da pele. Quando isso não é possível ou não proporciona uma reconstrução adequada, podem ser utilizados enxertos de pele ou retalhos.

A escolha da técnica depende da localização e do tamanho do defeito, das estruturas envolvidas e das características individuais do paciente.

Especialmente quando o melanoma está localizado na face ou próximo a estruturas funcionalmente importantes, o planejamento da reconstrução busca conciliar o tratamento adequado do tumor com a preservação da forma e da função da região.

O melanoma pode voltar?

Sim. O risco de recorrência depende das características do melanoma e do estágio em que a doença foi diagnosticada.

A profundidade e outras características identificadas no exame anatomopatológico, assim como eventual comprometimento dos linfonodos ou de outros órgãos, são importantes para avaliar esse risco e orientar o acompanhamento.

Além da possibilidade de recorrência, pacientes que já apresentaram melanoma possuem maior risco de desenvolver um novo melanoma, tornando importante o acompanhamento periódico da pele.

Como é realizado o acompanhamento?

O acompanhamento após o tratamento é individualizado de acordo com as características do melanoma e o estágio da doença.

Durante as consultas são avaliados o local previamente tratado, a pele como um todo e, quando indicado, os linfonodos. Dependendo das características da doença, outros exames também podem fazer parte do acompanhamento.

A fotoproteção, o autoexame da pele e a atenção ao aparecimento de novas lesões ou modificações em lesões preexistentes são importantes ao longo do seguimento.

O tratamento é individualizado

O melanoma pode apresentar diferentes formas de apresentação e diferentes níveis de risco. As características identificadas no exame anatomopatológico, a localização do tumor e a avaliação clínica determinam a extensão da cirurgia e a necessidade de investigação ou tratamentos adicionais.

O planejamento cirúrgico busca obter o controle adequado da doença, respeitando as margens necessárias para o tratamento. Quando a retirada do tumor resulta em um defeito que necessita reconstrução, diferentes técnicas de cirurgia plástica podem ser utilizadas para restaurar, sempre que possível, a forma e a função da região tratada.

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